terça-feira, 1 de outubro de 2013

SALVE PAI TOMÉ

(Texto enviado por Wânia)

Meu querido Pai Tomé...
Pesquisando sua história, me apaixonei por esse lindo velhinho, então, resolvi compartilhar com meus irmãos.

PAI TOMÉ: UM PRETO – VELHO  FIRME E DECIDIDO.
Para quem vê Pai Tomé incorporar pela primeira vez, o descreve como um Preto – Velho desconfiado, ranzinza e quase briguento, parecido com “São Tomé da Bíblia”, discípulo de Jesus, que precisou tocar as feridas do mestre, para se certificar de que era Ele mesmo.  Deste modo, descobri, lendo sobre sua vida, o porquê desse Preto – Velho ser tão parecido com o Santo de mesmo nome.
Esse negro viveu no século XIX, na cidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, diferente de outros negros de sua época.
Ao nascer, seus pais ainda eram escravos, mas a Lei do Ventre Livre, já havia sido assinada, então, desde cedo, por ter sido afastado de seus pais, precisou mendigar para sobreviver.
Começou a pescar, tornando-se mercador de peixes. Aprendeu a lutar capoeira para defender-se de ataques dos brancos e dos negros mais afortunados e usava como arma seu facão.
Desde criança, Tomé era “amaldiçoado”, pois ouvia vozes, via almas de pessoas falecidas e enxergava os dois mundos em constante contraste; por isso, vivia isolado, com seus “fantasmas” interiores.
Com o passar do tempo, alguns espíritos começaram a cercá-lo, acompanhando-o por onde quer que fosse, azucrinando-o o quanto conseguissem....  Assim, resolveu dar fim à própria vida. Encostou seu facão próximo ao pescoço, quando um soldado de vestimentas reais surgiu a sua frente bradando:  “PATACORI!!!”  “Como ousa afrontar teu Pai Ogum, que te libertou da senzala?! Afasta essa faca de ti e vá cumprir tua missão, salvando as almas que te procuram!” e, num outro brado alto, o cavaleiro se foi....
 Tomé, então, percebeu que São Jorge viera salvá-lo de um ato insano. Regressou ao cais, pescou seu alimento, saciando sua fome e dormiu.
Ao amanhecer, encontrou uma choupana abandonada a beira mar; reformou-a e foi novamente  pescar quantos peixes pôde. Vendeu todos no mercado e com o dinheiro arrecadado, comprou  uma imagem de nosso Senhor do Bonfim, uma de Nossa Senhora dos Navegantes, velas e roupas; retornou para casa e colocou uma placa dizendo:  “ORAÇÕES E BENZEDURAS”.
No dia seguinte, ao amanhecer, já havia dez pessoas numa fila, esperando atendimento. Assim, Tomé iniciou seus trabalhos como benzedor, trabalhando sem cessar, por setenta anos. Mas não viveu sozinho, pois ao completar dez anos trabalhando entrou em seu casebre uma moça da Aldeia dos Pescadores, chamada Rosa Maria que coincidentemente  possuía o mesmo dom de Tomé. Ele tratou dela que passou a auxiliá-lo em seus atendimentos e, com o passar dos anos, resolveram viver juntos. Cumpriram missão, auxiliando pessoas necessitadas.
Assim é Pai Tomé: sempre alerta e desconfiado, até que conheça bem o coração de seu filho... Por ter sofrido muito em terra, compreende as misérias humanas, e trabalha na busca da paz e da fraternidade, estimulando a caridade.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho da vida desse lindo velhinho chamado Pai Tomé.
Com carinho,

Irmã Wânia

5 comentários:

  1. Nossa bate com o que eu via quando era mais novo

    ResponderExcluir
  2. Nossa bate com o que eu via quando era mais novo

    ResponderExcluir
  3. Vi ele ontem. Deu vontade de dar um abraço...

    ResponderExcluir

Contribuições feitas com o coração são bem vindas!