terça-feira, 15 de outubro de 2013

LEALDADE NA UMBANDA

Pedro declarou a Jesus:
"Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei!".



Conta a história que um homem com seu cavalo e seu cão caminhavam por uma estrada. E depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que ele, seu cavalo e seu cão haviam morrido num acidente.
Às vezes os mortos levam algum tempo para se dar conta de sua nova condição…
A caminhada era muito longa. Morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água.
Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça revestida com blocos de ouro. No centro dela havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.
O andarilho dirigiu-se ao homem que numa guarita guardava a entrada e o interrogou:
– Bom dia! - ele disse.
– Bom dia! - respondeu o guarda…
– Que lugar é este, tão lindo? - ele perguntou.
– Isto aqui é o céu! – respondeu o guarda...
– Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede. - Disse o homem.
– O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o guarda, indicando-lhe a fonte.
– Meu cavalo e meu cachorro também estão com muita sede.
– Lamento muito, disse o guarda. Aqui não se permite a entrada de animais.
O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia, deixando seus amigos com sede.
Assim, prosseguiu seu caminho. Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, chegaram a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semi-aberta. A porteira se abrira para um caminho de terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra. À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, parecia que estava dormindo:
– Bom dia! - disse o andarilho.
– Bom dia! - disse o homem.
– Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
– Há uma fonte naquelas pedras, podem beber à vontade, disse o homem, indicando o lugar.
O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e saciaram a sede.
– Muito obrigado, ele disse ao sair.
– Voltem quando quiserem, respondeu o homem.
– A propósito, disse o andarilho, qual é o nome deste lugar?
– Aqui é o Céu! - respondeu o homem.
– Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore disse que lá era o Céu!
– Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.
O andarilho ficou perplexo.
– Mas então, essa informação falsa deve causar grandes confusões, disse ele.
– De forma alguma! - respondeu o homem. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar até seus melhores amigos em detrimento de si…
O texto nos traz a grandiosidade e a importância da palavra lealdade..., mas o que seria a LEALDADE??
LEALDADE é a qualidade, a ação ou o procedimento de quem é leal.
Ser leal é ser sincero, franco e honesto. Fiel aos seus compromissos. É a consideração aos preceitos que dizem respeito à honra, à decência e à honestidade. Tem aquele que honra seus compromissos com retidão e responsabilidade.
A lealdade não está ligada apenas aos seres humanos, mas também aos animais, pois é muito clara a lealdade de um animal de estimação para com o seu dono!

Ser leal é manter-se fiel a quem está com você, independente da distância que os separa, a lealdade se mantém, se fortalece e massifica todas as relações.
No casamento, a lealdade ao cônjuge é imprescindível e a chamamos de fidelidade e cumplicidade. Na amizade também deve existir, mesmo que não haja promessa para tal. No trabalho, aumenta a produtividade, o companheirismo e melhora a relação interpessoal. Por isso, é sempre bom buscarmos ser leais na vida com TODOS, inclusive conosco mesmos!
Devemos ser leais primeiramente com nós mesmos, pois ser leal é, acima de tudo, nos aceitar, reconhecer nossas qualidades e defeitos e, em nos aceitando, passaremos a aceitar o outro também com suas virtudes e problemas.
É importante tornar-se leal para com o próximo, pois a lealdade é o respeito por si mesmo e a todos em sua volta.  A lealdade não é uma virtude fácil de ser cumprida, exige reflexão, responsabilidade, atenção, verdade e etc. É difícil, mas não é impossível!
Por vezes, por termos a certeza de que os outros irão nos perdoar alguma hora, acabamos sendo desleais com as pessoas que gostam de nós. Sempre devemos agir com cuidado e cautela, para não ferir quem está do nosso lado ou quem nos ama. Por outro lado mesmo que seja desagradável, não podemos ser desleais ao ponto de nos omitirmos por não alertarmos o erro a alguém quando virmos ser necessário. Às vezes é melhor criarmos um pequeno desconforto para evitarmos um mal maior! A pessoa leal fará isso por nós!! 
Na Umbanda a lealdade é essencial. Os médiuns umbandistas devem ser leais aos Guias e Mentores, à Casa, à Corrente Mediúnica, à Dirigente Espiritual, aos Médiuns da casa e aos Consulentes.
Os médiuns devem ter lealdade aos Guias e Mentores de nossa Casa Espiritual, pois o seu trabalho contribui de forma direta com os propósitos Divinos de ajuda aos necessitados. Devemos atender a todos os seus pedidos e recomendações durante e depois dos trabalhos. Quando na função de cambonos, devemos repassar os recados delas aos seus instrumentos da forma mais fidedigna possível, ou seja, sem tirar, nem pôr nada, nem mesmo utilizar o que achamos para descrever o que ela falou, apenas como um gravador, devemos repetir o que foi solicitado por ela. É importante sermos leais aos Guias e Mentores para não prejudicarmos seus trabalhos de caridade.     
A lealdade à Casa é representada pelas palavras de nossa Guia Espiritual Vovó Antonieta da Bahia: “O que acontece na Casa, na Casa fica!”. Devemos sempre evitar comentar sobre fatos ocorridos na Casa com pessoas alheias à corrente mediúnica, pois caso contrário estaríamos sendo desleais com a Casa e com todos os médiuns, pois a pessoa não sendo médium da Nossa Casa, pode mau interpretar seu comentário, ocasionando situações desagradáveis que poderiam ser evitadas pelo simples fato de sermos leais à Casa.
A lealdade à Corrente Mediúnica é missão de todos os médiuns da Casa, pois “se um elo da corrente estiver fraco ou deficiente, todo o trabalho pode ficar comprometido!”. Devemos ter lealdade ao participamos de uma gira, pois somos parte de um todo e o resultado final depende do trabalho e preparação individual de cada médium. Por isso é altamente importante a preparação antes, durante e depois da gira, quer seja fazendo seu preceito necessário, tomando seu banho de ervas, tendo postura e respeito com as entidades e consulentes, quer trabalhando durante a corrente. Seu trabalho durante a gira é muito importante para o grupo! Procure ser leal com todos!
A lealdade ao Dirigente é primordial, pois ele é responsável por todos os acontecimentos na Casa, tanto os materiais, quanto os espirituais. A lealdade ao Dirigente pode ser demonstrada no respeito a suas decisões e, caso ocorra algo que não agrade a um médiuns, a atitude mais leal é se dirigir e conversar sobre o fato. Toda relação de lealdade deve ser a mais transparente possível. Por isso evite problemas, fofocas e desentendimentos através de conversas esclarecedoras... Ainda em relação a um Dirigente, observemos que quando ele procura não se envolver na sua vida, não ultrapassar seus limites e não expor seus problemas, também está demonstrando lealdade para com os médiuns da Casa e isso é muito importante!
A lealdade aos irmãos é a que mais podemos demonstrar através de gestos e atitudes. Fofocas, mentiras, ausência em um compromisso assumido, seja na limpeza, na arrumação da casa para uma gira, em um evento da Casa ou na não quitação com uma obrigação ou regra da casa e etc., tudo isso não é exemplo de lealdade para com os irmãos...Todos devemos evitar!
Quando nos colocamos à disposição para a prática da caridade e do amor ao próximo, nossa responsabilidade como médiuns umbandistas se torna muito grande, pois a lealdade aos consulentes deve ser a mesma que temos à nossa tão amada Umbanda, ou seja, os necessitados devem ser muito bem tratados, com muito amor e seriedade, pois esse tratamento mostra a seriedade do trabalho desenvolvido pela Casa e a preocupação com a melhora daquele irmão que busca auxílio.
A lealdade umbandista consiste em, apesar de todas as dificuldades e obstáculos individuais, colocar-se à disposição dos compromissos e deveres assumidos. A Umbanda deve possuir médiuns compromissados em praticar a LEALDADE para com eles mesmos, para com os Guias e Mentores, para com a Casa, para com a corrente mediúnica, para com os dirigentes espirituais, para com os irmãos da Casa e para com os consulentes, fazendo assim, com que seja formado um círculo de confiança onde, imbuídos do sentimento de fraternidade que nos cerca, possamos contar com a lealdade daqueles que buscam e trabalham pela evolução.  

“Não espere lealdade de quem está sempre em busca de atenção, os leais são discretos e generosos.” (Evan do Carmo)

Beijão e abração!! Fiquem com Deus, Magalhães.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ADVERSIDADES

(Texto enviado por Jorge)

Ela era uma garota que vivia a se queixar da vida. Tudo lhe parecia difícil e se dizia cansada de lutar e combater.
Seu pai, que era um excelente cozinheiro, a convidou, certo dia, para uma experiência na cozinha.
Tomou de três panelas, encheu-as com água e colocou cenouras em uma, ovos em outra e pó de café na terceira.
Deixou que tudo fervesse, sem nada dizer. A moça suspirou longamente, imaginando o que é que seu pai estava fazendo com toda aquela encenação.
Tudo fervido, o pai colocou as cenouras e os ovos em uma tigela e o café em outra.
O que você está vendo? Perguntou.
Cenouras, ovos e café, respondeu ela.
Ele a trouxe mais perto e pediu que experimentasse as cenouras. Ela notou como as cenouras estavam macias.
Tomando um dos ovos, quebrou a casca e percebeu que ele estava duro.
Provando um gole de café, a garota sentiu o sabor delicioso.
Voltou-se para o pai, sorriu e indagou:
O que significa tudo isto, papai?
É simples, minha filha. As cenouras, os ovos e o café, ao enfrentarem a mesma adversidade, a água fervendo, reagiram de formas diferentes.
A cenoura entrou na água, firme e inflexível. Ao ser submetida à fervura, amoleceu e se tornou frágil.
O ovo era frágil. A casca fina protegia o líquido interior. Com a água fervendo, se tornou duro.
O pó de café, por sua vez, é incomparável. Colocado na água a ferver, ele mudou a água.
Voltando-se para a filha, perguntou o homem experiente:
Como é você, minha filha? Quando a adversidade bate à sua porta, você reage como a cenoura, o ovo ou o café?
Você é uma pessoa forte, decidida que, com a dor e a adversidade, se torna frágil, vulnerável, sem forças?
Ou você é como o ovo? Delicada, maleável, casca fina que, com facilidade, se rompe. Ao receber as agruras de um desemprego, de uma falência, da morte de um ser querido ou  de um divórcio, se torna dura, inflexível? Quanto mais sofre, mais obstinada fica, mais amarga se torna, encerrada em si mesma?
Ou você é como o café? Ele muda a água fervente, a coisa que está trazendo a dor, para conseguir o máximo de seu sabor, a cem graus centígrados. Quanto mais quente a água, mais gostoso se torna o café, deliciando as pessoas com o seu aroma e sabor.
Se você é como o pó de café, quando as coisas vão ficando piores, você se torna melhor e faz com que as coisas em torno de você também se tornem melhores.
A dor em você tem o condão de torná-la mais doce, gentil, com capacidade de melhor entender a dor alheia. Afinal de contas, minha filha, como você enfrenta a adversidade?
*   *   *
A dor pode ser comparada ao instrumental de um hábil escultor.
Com destreza e precisão técnica, ele toma de uma pedra dura como o mármore, por exemplo, e pacientemente a transforma em uma obra de arte, para encanto das criaturas.
A beleza da pedra só aparecerá aos golpes duros do cinzel, na monotonia das horas intermináveis de esforço e trabalho.
Assim como a pedra se submete à lapidação das formas para se tornar digna de admiração, somente os corações que permitem à dor esculpir sua intimidade, adquirem o fulgor das estrelas e o brilho sereno da lua.
Texto baseado em textos da Redação do Momento Espírita.
Adaptado pelo Coordenador da Segunda Mesa de Estudos Espíritas - CEENC / Julho 2013

E QUE A MISSÃO SEJA SEMPRE CUMPRIDA COM FÉ, AMOR E CARIDADE AO PRÓXIMO!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ENSINANDO CAVALO A VOAR


Vamos dividir a palavra preocupação em duas partes: pré-ocupação. Ou seja, ocupar-se de algo antes que aconteça ou, morrer de véspera. Tentar resolver problemas que ainda não tiveram tempo de se manifestar. Imaginar que as coisas, quando chegam, sempre escolhem seu pior aspecto. Muitas vezes o desespero faz cegar os olhos às soluções simples. Para tudo há solução e, para o que não há, eis aí a solução! Há, é claro, muitas exceções. Uma delas é o herói desta pequena história:
Um velho rei da Índia condenou um homem à forca. Assim que terminou o julgamento, o condenado lhe pediu:
- Vossa Majestade é um homem sábio e curioso a respeito de tudo que seus súditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes e os faquires. Pois bem. Quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada.
O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco.
- Preciso ficar dois anos com este animal – disse o condenado.
- Você terá dois anos – respondeu o rei, a esta altura meio desconfiado – Mas, se este cavalo não aprender a voar, será enforcado.
O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a família em prantos.
- Você está louco? – gritaram todos – Desde quando alguém desta casa sabe fazer um cavalo voar?
- Não se preocupem – respondeu ele – Primeiro, nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho e pode morrer nesses dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer, e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo animal. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de Estado, anistias gerais. Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, e neles poderei fazer tudo o que tiver vontade. Vocês acham pouco?
 ***
Por vezes a vida nos traz momentos que parecem não ter solução. Desesperamo-nos e na ânsia de resolver algo que ainda não aconteceu, acabamos por antecipar problemas que talvez nem chegassem a se concretizar. Uma visão positiva e otimista de futuro pode mudar essa perspectiva. A confiança em você associada à fé, podem evitar que você perca seu tempo tentando antecipar possibilidades. Já ouviu a expressão “peru de Natal é que morre na véspera”? Pois é... Cada coisa tem um tempo e uma hora e nossas atitudes podem alterar o porvir. Pense nisso e aguarde o tempo certo do acontecer. Não se desespere e confie. Quem sabe amanhã não lhe reserve boas surpresas?... Se você já se tem o “NÃO”, o que te custa esperar que aconteça um “SIM”?
Pense nisso!

sábado, 5 de outubro de 2013

OS BOIADEIROS

(Texto enviado por Magalhães)

No decorrer da gira de Caboclo, o chefe do terreiro diz:  - “Jetuá Boiadeiro!”. O Ogã prepara a mão e a solta no couro do atabaque e canta:
Eu Me Chamo Boiadeiro
Boiadeiro do Sertão
Vou andando pela estrada,
Cavalgando no Sertão!!!
Salve Seu Boiadeiro do Sertão!!!
Jetuê, Jetuá
Corda de laçar meu boi...
Jetuê, Jetuá
Corda de meu boi laçar!!!
O corpo começa a estremecer, o coração bate mais forte e a força, coragem, determinação, sabedoria, seriedade e alegria tomam conta do mental e do emocional do médium que rapidamente gira, começando a dançar e a movimentar seu braço em busca do chicote. Logo vem o grito: “ÊÊÊÊ! BOIIII!!”, demonstrando a força e a energia do Caboclo Boiadeiro.
Os Boiadeiros são entidades de luz que trabalham na linha dos Caboclos (Orixá Oxóssi). Eles representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, que com seu sangue quente e a pele queimada pelo sol forte, toca seu berrante para conduzir o rebanho e se utiliza de cantigas, que expressam sua humilde vida no campo. Nos seus trabalhos nos ensinam que o principal elemento da sua magia é a FORÇA DE VONTADE que deve ser firme para que consigamos uma vida melhor e farta.
Essas entidades de luz foram vaqueiros, boiadeiros, laçadores, peões, tocadores de viola; foram os mestiços brasileiros, filho de branco com índio, índio com negro e representam a miscigenação brasileira, com os costumes, crendices, superstições e principalmente a FÉ.
Em terra, o Boiadeiro estremece o plano astral inferior e envolve as entidades de baixa vibração com seu laço, afastando-os dos médiuns e dos consulentes. Para algumas correntes de pensamento umbandista, esses espíritos já foram Exus e, numa transição dos seus graus evolutivos, hoje se manifestam como caboclos boiadeiros.
Com amparo de Ogum seu Orixá protetor, os Boiadeiros encaminham todos esses espíritos desorientados ao domínio da Lei, que são direcionados para a busca da Evolução. Tal trabalho demonstra a caridade e o amor ao próximo dessas Entidades de Luz.
            De um modo geral, os Boiadeiros usam chapéu de couro com abas largas, para proteger-lhes do sol forte do sertão, calças arregaçadas, laços ou chicotes de couro, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos. O chicote e/ou o laço são suas “Armas Espirituais”, com eles vão dissipando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e os consulentes. A corda é usada com sabedoria para laçar o “boi brabo” ou para “buscar aquele que se afasta da boiada”, ou ainda usada para “derrubar o boi para abate”.
Dentro do campo mediúnico, os boiadeiros fortalecem o médium, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores.
Os boiadeiros aprenderam um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; um pouco com os negros: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião que falam de Jesus e de Nossa Senhora, entre outras coisas. Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e benzedura para todos os fins.
            São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Suas consultas são “curtas e grossas”, com a finalidade de dissipar energias inferiores, porém alguns gostam de conversar como um Preto-Velho ou podem receitar ervas como os caboclos fazem.
            Essas Entidades estão sempre alerta em qualquer alteração de energia local devido à entrada de espíritos na Gira. Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos indesejados, que entraram no local, a se retirar. Assim “limpam” a Gira para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos inferiores atendem aos Boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por Eles para locais próprios de doutrina e evolução.
            Seu dia é quinta feira. Eles gostam de bebida forte como, por exemplo, cachaça com mel de abelha, que eles chamam de “meladinha”, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo.
No Terreiro os Boiadeiros vêm “descendo em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.
            Enquanto os “caboclos índios” são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.  
            Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes.
Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e educam quem prejudica um médium que ele goste.
“Gostar” para um Boiadeiro é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”. Pois ser Filho de Boiadeiro não é só tê-lo como cavalo.
            Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, a liberdade, o vigor e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com grande força e fé.
            Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro do Sertão, Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros.

Salve os Boiadeiros! Jetuá, Seu Boiadeiro!
Salve Seu Boiadeiro do Sertão
  

PONTOS DE BOIADEIRO

 QUEM VEM LÁ

Ô quem vem lá,
Sou eu, (3x)
Boiadeiro apareceu!! (Bis)

CORDA DE LAÇAR MEU BOI
Chetruá....chetruá
Corda de laçar meu boi,
Chetrua....chetrua
Corda de meu boi laçar. (BIS)

BOIADA DE 31
Seu Boiadeiro, cadê sua boiada (bis)
A Sua boiada é de 31,
Eu já contei 30,
E está faltando 1. (Bis)

VAQUEJADA
Eu tenho meu chapéu de couro,
Eu tenho minha guiada,
Eu tenho meu lenço vermelho,
Para tocar minha boiada.

ME CHAMAM DE BOIADEIRO

Me chamam boiadeiro
Boiadeiro eu não sou não,
Eu sou laçador de boi,
Boiadeiro é meu patrão

BOIADEIRO DO PIAUÍ
Olha quem chegou ai. (bis)
Com firmeza e alegria,
É o Boiadeiro do Piauí (bis)

BOA NOITE BOIADEIRO
Boa noite meus senhores,
Boa noite venham cá,
Eu me chamo Boiadeiro,
Em que posso ajudar.

ABRE A PORTA
Abre a porta minha mãe.
Deixa boiadeiro passar,
Ele vem de muito longe
Ele vem pra ajudar (bis)

BOIADA DE SÃO VICENTE
Boiada boa,
Boiada de São Vicente. (bis)
No meio de tanto boi,
Não achei nenhum doente.
Oi no meio de tanto boi,
Não achei nenhum doente.

ESTAÇÃO DA LEOPOLDINA
Seu boiadeiro,
Da Estação da Leopoldina,
Estava carregando gado,
Pra uma estação de Minas. (bis)
Mineiro ê,
Mineiro uai,
Seu boiadeiro,
Veio aqui pra trabalhar.

TODO PÁSSARO VOA
 (Antes de Subir)
Todo pássaro voa,
Só a ema não. (bis)
Boiadeiro vai embora,
Lá pro seu sertão. (bis)

(Após a Subida dos Boiadeiros)
Todo pássaro voa,
Só a ema não. (bis)
Boiadeiro foi embora,
Lá pro seu sertão. (bis)


terça-feira, 1 de outubro de 2013

SALVE PAI TOMÉ

(Texto enviado por Wânia)

Meu querido Pai Tomé...
Pesquisando sua história, me apaixonei por esse lindo velhinho, então, resolvi compartilhar com meus irmãos.

PAI TOMÉ: UM PRETO – VELHO  FIRME E DECIDIDO.
Para quem vê Pai Tomé incorporar pela primeira vez, o descreve como um Preto – Velho desconfiado, ranzinza e quase briguento, parecido com “São Tomé da Bíblia”, discípulo de Jesus, que precisou tocar as feridas do mestre, para se certificar de que era Ele mesmo.  Deste modo, descobri, lendo sobre sua vida, o porquê desse Preto – Velho ser tão parecido com o Santo de mesmo nome.
Esse negro viveu no século XIX, na cidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, diferente de outros negros de sua época.
Ao nascer, seus pais ainda eram escravos, mas a Lei do Ventre Livre, já havia sido assinada, então, desde cedo, por ter sido afastado de seus pais, precisou mendigar para sobreviver.
Começou a pescar, tornando-se mercador de peixes. Aprendeu a lutar capoeira para defender-se de ataques dos brancos e dos negros mais afortunados e usava como arma seu facão.
Desde criança, Tomé era “amaldiçoado”, pois ouvia vozes, via almas de pessoas falecidas e enxergava os dois mundos em constante contraste; por isso, vivia isolado, com seus “fantasmas” interiores.
Com o passar do tempo, alguns espíritos começaram a cercá-lo, acompanhando-o por onde quer que fosse, azucrinando-o o quanto conseguissem....  Assim, resolveu dar fim à própria vida. Encostou seu facão próximo ao pescoço, quando um soldado de vestimentas reais surgiu a sua frente bradando:  “PATACORI!!!”  “Como ousa afrontar teu Pai Ogum, que te libertou da senzala?! Afasta essa faca de ti e vá cumprir tua missão, salvando as almas que te procuram!” e, num outro brado alto, o cavaleiro se foi....
 Tomé, então, percebeu que São Jorge viera salvá-lo de um ato insano. Regressou ao cais, pescou seu alimento, saciando sua fome e dormiu.
Ao amanhecer, encontrou uma choupana abandonada a beira mar; reformou-a e foi novamente  pescar quantos peixes pôde. Vendeu todos no mercado e com o dinheiro arrecadado, comprou  uma imagem de nosso Senhor do Bonfim, uma de Nossa Senhora dos Navegantes, velas e roupas; retornou para casa e colocou uma placa dizendo:  “ORAÇÕES E BENZEDURAS”.
No dia seguinte, ao amanhecer, já havia dez pessoas numa fila, esperando atendimento. Assim, Tomé iniciou seus trabalhos como benzedor, trabalhando sem cessar, por setenta anos. Mas não viveu sozinho, pois ao completar dez anos trabalhando entrou em seu casebre uma moça da Aldeia dos Pescadores, chamada Rosa Maria que coincidentemente  possuía o mesmo dom de Tomé. Ele tratou dela que passou a auxiliá-lo em seus atendimentos e, com o passar dos anos, resolveram viver juntos. Cumpriram missão, auxiliando pessoas necessitadas.
Assim é Pai Tomé: sempre alerta e desconfiado, até que conheça bem o coração de seu filho... Por ter sofrido muito em terra, compreende as misérias humanas, e trabalha na busca da paz e da fraternidade, estimulando a caridade.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho da vida desse lindo velhinho chamado Pai Tomé.
Com carinho,

Irmã Wânia