quarta-feira, 29 de maio de 2013

CRISPIM E CRISPINIANO



A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, que traz para a humanidade da sabedoria dos sábios índios e escravos que viveram na Terra e lutaram pela sua libertação. Nesse processo de luta pela libertação, por vezes, os índios e escravos se viram tolhidos de seu direito de terem sua própria crença e cultuar aquelas tradições de suas culturas natais.
Com sua fé latente em seus corações, os escravos acabavam por associar os Santos católicos, oriundos das religiões de seus senhores, com os seus, africanos. Assim, dizemos que há um sincretismo entre os Santos Católicos e a crença tradicional Africana. Como os escravos são algumas das entidades que se manifestam na religião brasileira, trazem consigo a religião aprendida e o sincretismo criado na época da senzala. Apesar de, na Umbanda, não cultuarmos Orixás como deuses, permanece o sincretismo dos santos católicos, com aquelas energias da natureza representadas por cada um dos Orixás.
Segue abaixo a história de Crispim e Crispiniano, que na defesa do cristianismo e do bem, foram sincretizados com a falange das crianças, que conhecemos na Umbanda como Ibejada.

(Enviado por Danielle)

Eram irmãos de origem romana. Cresceram juntos e converteram-se ao cristianismo na adolescência. Ganhando a vida no oficio de sapateiro, eram muito populares, caridosos, e pregavam com ardor a fé que abraçaram. Quando a perseguição aos cristãos ficou mais insistente, os dois foram para a Gália, atual França.
As tradições seculares contam que, durante a fuga, na noite de Natal, os irmãos Crispim e Crispiniano batiam nas portas buscando refúgio, mas ninguém os atendia. Finalmente, foram abrigados por uma pobre viúva que vivia com um filho. Agradecidos a Deus, quiseram recompensá-la fazendo um novo par de sapatos para o rapazinho.
Trabalharam rápido e deixaram o presente perto da lareira. Mas antes de partir, enquanto todos ainda dormiam, Crispim e Crispiniano rezaram pedindo amparo da Providência Divina para aquela viúva e o filho. Ao amanhecer, viram que os dois tinham desaparecido e encontraram o par de sapatos cheio de moedas.
Quando alcançaram o território francês, os dois irmãos estabeleceram-se na cidade de Soissons. Lá, seguiram uma rotina de dupla jornada, isto é, de dia eram missionários e à noite, em vez de dormir, trabalhavam numa oficina de calçados para sustentar-se e continuar fazendo caridade aos pobres. Quando a cruel perseguição imposta por Roma chegou a Soissons, era época do imperador Diocleciano e a Gália estava sob o governo de Rictiovaro. Os dois irmãos foram acusados e presos. Seus carrascos os torturaram até o limite, exigindo que abandonassem publicamente a fé cristã. Como não o fizeram, foram friamente degolados, ganhando a coroa do martírio.
A Igreja celebra os santos Crispim e Crispiniano como padroeiros dos sapateiros no dia 25 de outubro. Essa profissão, uma das mais antigas da humanidade, era muito discriminada, por estar sempre associada ao trabalho dos curtidores e carniceiros. Mas o cristianismo mudou a visão e ela foi resgatada graças ao surgimento dos dois santos sapateiros, chamados de mártires franceses.
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Aqui no Brasil, a devoção trazida pelos portugueses misturou-se com o culto aos Espíritos meninos (Ibejis ou Erês) da tradição africana.
A falange de Ibejí, também chamados "crianças" é composta de meninos e meninas de todas as raças e idades. Em geral, as cores que os representam são o azul e o rosa, sendo que geralmente são conjugadas com o branco. Os Ibeji são chamados de Erês e também de Curumins. São Cosme e São Damião são os padroeiros das crianças, dos médicos e farmacêuticos. Também são sincretizados com os Ibeji.

Oração a São Crispim e Crispiniano
Oh! Deus, que com tão grande bondade inspirastes a vossos fiéis servos Crispim e Crispiniano a renúncia dos bens terrenos e o amor às delícias espirituais; o horror às mundanas vaidades e os encantos da eterna bem-aventurança, o desprezo das galas transitórias e gosto dos trabalhos humildes; Concedei-nos, pela intercessão destes ilustres Mártires, a graça da verdadeira sabedoria, desprezando tudo o que é efêmero e caduco para amarmos somente o que é salutar e eterno.
E vós, Crispim e Crispiniano, que tão heroicamente empenhastes as vossas vidas para atear na Terra o amor de Jesus, intercedam por nós, para que seguindo o vosso exemplo possamos honrar sempre o nome cristão.
Por Jesus Cristo Senhor Nosso.
Assim seja.

Bibliografia
http://umbandadejesus.blogspot.com.br/2008/09/27-de-setembro-dia-das-crianas.html
-http://espiritualizandocomaumbanda.blogspot.com.br/2011/10/hoje-e-dia-de-sao-crispim-e-sao.html

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